Showing posts with label jornal I. Show all posts
Showing posts with label jornal I. Show all posts

Friday, June 20, 2014

"Ithaka Is Also Mad" por Beatriz Silva (Journal I)

http://www.ionline.pt/artigos/surf/sagres-surf-culture-ithaka-is-also-mad

"Ithaka Is Also Mad" por Beatriz Silva (Journal I) - 4 de Maio 2013


Vive no meio do mato e é lá que encontra a sua inspiração para surfar, fazer as suas esculturas, fotografar e compor a sua música. Faltará alguma coisa a Ithaka para terminar a vida em grande? O artista conta-nos que ainda quer apostar no cinema, mas vamos com calma. Acabado de chegar a Sagres, aproveitámos para conhecer um pouco melhor este autodidacta multifacetado. Com o tempo apertado, convida-nos para almoçar, e é aqui que começa a contar a sua história.
Natural da Califórnia, Ithaka começou muito cedo com todos os seus projectos. “Desde os cinco anos que fazia fotografia porque o meu pai era amante da fotografia e as minhas primeiras actividades criativas foram nesta área. Depois, com 17, 18 anos, comecei a fazer outras experiências visuais com materiais alternativos, como prateleiras e portas”, conta--nos. Foi aqui que nasceram as pranchas reencarnadas, e são algumas destas que podemos ver em exposição no Sagres Surf Culture, a decorrer onde o próprio nome indica até domingo. Com mais de 300 peças feitas, Ithaka vai buscá-las ao lixo ou apanha-as partidas à beira-mar. “Tinha uma prancha partida no meu apartamento em Hollywood e um dia dei por mim sem nada para pintar, sem uma tela, sem uma porta. Peguei na prancha partida e vi-a de outra maneira. Nos primeiros anos em que trabalhei nelas mudei as linhas originais e dei uns tons dourados, que acabei por ir modificando com o tempo”, explica-nos.
A paixão pelo surf apareceu no meio de tudo isto e hoje o californiano, que se iniciou com o bodyboard, viaja regularmente à procura de ondas boas. “Não vivi perto da praia, mas já tinha interesse pelo surf porque o mercado ao lado de casa vendia revistas de surf e as capas chamavam-me a atenção.” Começou a surfar aos 12 anos, depois de uma viagem que o marcou para sempre. “Tinha um amigo na escola. O pai dele era arquitecto e na época, como a minha família não tinha dinheiro para fazer férias e o pai do meu amigo estava a construir um hotel na ilha de Maui, no Havai, convidaram-me para passar uma semana lá.

Durante esta viagem alugámos um barco para pescar e chegamos à baía de Honolua, onde existem as melhores ondas do mundo. Tinham quase 2 metros e vi pela primeira vez na vida ondas sobre o coral e gajos a surfarem-nas. Foi nesta viagem que comecei a surfar.” Mas o dinheiro era pouco e as pranchas muito caras. “Na época vendi a bateria que tinha em casa para comprar uma prancha”, revelou.  Porém, mesmo sem bateria, a música não ficou por aqui.
DA COSTA AO INTERIOR Apesar de ter escolhido o mato no litoral sul do estado de São Paulo, no Brasil, para viver, Ithaka não pára quieto e é nas suas viagens que se baseia para transmitir ao mundo o que sente através das diferentes artes. Se naGrécia procurou as suas origens, foi no Japão que meteu na cabeça que queria vir até Portugal e conhecer o que o pequeno canto do continente mais antigo do mundo tem para oferecer. Questionado sobre escolha, o surfista explica que “estava cansando do sonho americano e da ilusão dos Estados Unidos como centro do universo”. “Eu sempre lutei contra isso e fui viajando. Passei pela Grécia, estive um ano no Japão e já tinha Portugal em mente. Não sei se criei esta ilusão, mas sentia que este país estava a chamar-me.” Nada acontece por acaso. “Um dia, a andar na calçada em Tóquio, estava a pensar num futuro em Portugal e vi um pedaço de cortiça na água. Pisei, apanhei e vi escrito: fabricado em Portugal. Fiquei com aquilo na cabeça.”
Com o trabalho fotográfico sempre presente e a viver no Bairro Alto, foi aqui que a música se apurou. “Tudo começou com uma rubrica na Rádio Comercial, em que falava de música americana. Mas um dia acabou e, como já escrevia uns poemas, a produção achou boa ideia ler as letras que tinha escrito com o som de hip hop de fundo e foi lá que encontrei o DJ Vibe. Depois disto convidaram-me para fazer uma participação com a música “So Get up”, que foi a minha primeira canção. Depois lancei o meu primeiro álbum”, conta.

“SEABRA IS MAD” Para quem não conhece, José Seabra é actualmente director de marketing da Quiksilver em Portugal. Mas antes disso aproveitou bem a sua época para apanhar ondas e foi neste palco que Ithaka o conheceu. “Há muito tempo, numa viagem na ilha da Madeira, surfámos no Jardim do Mar. Eu e ele dentro de água. E foi impressionante a coragem dele. Não era como no Havai, onde já havia salva-vidas, helicópteros. Éramos apenas nós e o João Valente na areia a filmar. Ele [José Seabra] é louco de uma maneira calma.” Ithaka também, e é sobre esta surfada que fala a canção.
foto: Luis Firmo