Wednesday, May 1, 2013

Experiência instrumental - Voiceless Blue Raven (Revista Fluir)


Experiência instrumental

Música, fotografia, artes plásticas e surf. Essas são apenas algumas das atividades que o californiano Ithaka, radicado no Brasil, exerce em seu dia a dia durante suas viagens pelo globo. Norte-americano de origem grega, Ithaka já viveu em países como Grécia, Portugal e Japão.
Surfista fissurado, Ithaka já surfou em picos no Marrocos, Quênia, Tanzânia, Cabo Verde, Filipinas, Indonésia, Nova Zelândia, México, Peru e Alaska, mas foi na pacata praia de Mongaguá, no litoral sul de São Paulo, que o viajante firmou sua morada e atualmente desenvolve seus projetos. Foi lá que ele formatou seu oitavo CD, Voiceless Blue Raven, primeiro álbum totalmente instrumental, que reflete as experimentações e curiosidades deste multiartista. Confira abaixo uma entrevista concedida recentemente pelo músico ao site da revista SURFPortugal. 
Por que um álbum instrumental agora? 
Nos últimos anos tenho mergulhado mais e mais no mundo da produção musical eletrônica (hip hop, trip hop, chill out e ambiente). Primeiro por interesse pessoal, depois, por necessidade, visto que passo pelo menos metade do ano em quase isolamento na zona rural do Brasil e tenho acesso limitado a um estúdio de som ou a produtores. O trabalho em computadores leva muito tempo para ser entendido, especialmente se não você não tiver nenhum background técnico. Alguns desses programas são como a aprender uma nova língua. Demoram vários anos para chegar ao conhecimento total. Senti que queria lançar um disco sem vocais desta vez para concentrar-me 100% nos componentes musicais. Este álbum representa a minha curva de aprendizagem como um produtor, como não coloquei muito a "mão na massa" no início da minha carreira, neste eu fiz literalmente tudo o que existe para fazer nos dias de hoje. Eu tenho muito interesse em trabalhar para produções, filmes, coisas do gênero. Duas das faixas deste álbum já foram utilizados num jogo popular do XBox 360 e eu sempre gostei de contribuir para as trilhas sonoras de filmes de surf ao longo dos anos. As músicas instrumentais são muito mais fáceis para os editores trabalharem e eu estou com vontade de colocar músicas desta coleção em futuros projetos de vídeo e cinema. Um dos meus objetivos para o futuro é também começar a reincorporar as minhas letras e vocais (poemas e rap) em algumas das músicas que faço no computador. A última canção neste álbum tem algumas linhas de voz, na verdade. Foi uma experiência e até gostei do resultado final. 
Quanto da parte instrumental dos seus álbuns anteriores foi feita por você? 
Eu passei a estar mais envolvido no processo de gravação e produção após o álbum Stellafly. Embora, mesmo nos dois primeiros álbuns, eu fosse uma espécie de co-produtor e tinha notas muito detalhadas sobre como algumas das faixas deviam soar. Por exemplo, neste álbum, eu incluí a versão instrumental da "Seabra Is Mad", o que é uma novidade. Quando me encontrei com a equipe de produção do álbum Stellafly, eu disse especificamente que estaríamos retratando uma verdadeira e assustadora história de vida, precisávamos que a canção "encapsulasse" a experiência moderna do surf. Precisávamos fazer uma mistura híbrida de Dick Dale, Goldie drum n bass e hip hop, com um coro de guitarra heavy metal e vocais. Foi assim que a música surgiu. Lembro-me que o guitarrista nunca tinha ouvido falar de Dick Dale e teve de fazer uma pesquisa para obter o som certo (risos). Mas no final deu certo. Algumas das faixas do álbum "Somewhere South Of Somalia" foram gravadas no meu apartamento num leitor de cassetes 4-track. Já no meu quarto álbum, gravado no Rio, fiz quase toda a produção eletrônica num programa chamado Razão, sendo que depois contei com ajuda para gravar os vocais e alguns instrumentos ao vivo. Várias das músicas do Voiceless Blue Raven foram totalmente feitas em um computador na minha casa na selva em AkahtiLândia, no Brasil. Foi uma experiência surreal... Ficar com a cara enfiada num computador durante várias horas, depois ir até à varanda para beber um café, fazer uma pausa e ficar cego com o brilho da folhagem verde e com os tucanos voando. 
O disco será lançado fisicamente ou apenas em formato digital? 
O Voiceless Blue Raven está disponível no iTunes e em todas as principais lojas digitais. Eu não vi nenhuma razão para fazer um lançamento físico internacional. Pessoalmente, eu já não conheço ninguém que compre discos numa loja – a menos que seja um vinil raro de colecionador. É também muito mais correto ambientalmente distribuir um álbum em formato digital. No entanto, fizemos um número limitado de cópias físicas que estarão disponíveis nas minhas exposições. 

http://fluir.terra.com.br/entrevista/experiencia_instrumental

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